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- Author, Brandon Drenon e Madeline Halpert
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Jeffrey Deaver, um lenhador aposentado de 58 anos do estado de Washington, toma kratom há quatro anos para atenuar dores crônicas severas no quadril e no joelho.
Ele descobriu o produto fitoterápico quando não conseguiu alívio com os médicos e enquanto aguardava cirurgias. Assustado a princípio, ele “começou com uma dose baixa”, mas depois aumentou a dosagem até que sua dor desaparecesse.
“Foi como um milagre”, disse Deaver. “Eu consegui dormir. Eu consegui funcionar.”
“Eu simplesmente não sei o que faria sem isso.”
O kratom, uma erva com efeitos semelhantes aos dos opioides, tem ganhado popularidade nos EUA na última década e geralmente é comprado sem receita médica e consumido em forma de comprimido ou líquido.
Esta semana, investigadores encontraram embalagens de kratom em posse de dois estudantes da Universidade do Mississippi que morreram. Embora as mortes não tenham sido atribuídas ao kratom, as autoridades estão agora emitindo alertas sobre o seu consumo.
Durante anos, os opositores do kratom têm pressionado por sua proibição, e em alguns países, como o Reino Unido, ele é ilegal. Mas o kratom não é regulamentado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) e é legal em alguns estados, incluindo o Mississippi.
No Brasil, a substância também não é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma nota técnica de 2023 recomendou incluir o kratom na lista de plantas proibidas.
“Em baixas doses, apresenta efeitos estimulantes, similares aos da cocaína, e pode ser utilizado para combater a fadiga durante longas horas de trabalho. Em doses altas, kratom apresenta efeitos do tipo opioide, incluindo analgesia, retardo do esvaziamento gástrico, sintomas de abstinência, dentre outros”, diz a nota.
Sem regulamentação e fácil de encontrar
O kratom é uma árvore originária do Sudeste Asiático, encontrada em países como Tailândia, Malásia e Indonésia.
Suas folhas são utilizadas há séculos pelas suas propriedades estimulantes, sendo moídas e consumidas como chá.
Com a crescente popularidade em todo o mundo, o produto entrou no mercado americano como suplemento por volta de 2016.
“Foi aí que os problemas realmente começaram”, disse Shane Speights, reitor da Faculdade de Medicina Osteopática do Instituto de Tecnologia de Nova York na Universidade Estadual do Arkansas.
Nos Estados Unidos, o kratom é vendido principalmente em formas altamente concentradas, seja em comprimidos, pó ou líquido, segundo Speights.
Também é muito fácil de se encontrar. É vendido em lojas de conveniência, postos de gasolina e lojas de cigarros eletrônicos.
Além disso, devido à sua classificação como suplemento, os produtos de kratom não são regulamentados pelo governo americano.
“Não há como saber exatamente o que você está comprando”, disse Speight. “Você pode criar algo no seu porão, comercializar como suplemento, e ninguém vai verificar o que tem dentro.”
Para que serve o kratom?
O kratom é frequentemente comercializado como um suplemento herbal seguro e natural que ajuda no controle da dor, ansiedade e depressão.
Em doses mais baixas, suas propriedades estimulantes criam um “tipo de sensação de euforia semelhante à da cafeína”, explicou Speights.
Devido aos seus efeitos semelhantes aos dos opioides, também tem sido usado com o objetivo de combater o vício em opioides como o fentanil.
Essas propriedades decorrem da forma como os compostos da planta — como a 7-hidroximitraginina — ativam vários hormônios, incluindo a dopamina.
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Quais são os efeitos e qual o grau de perigo?
“É quase como um narcótico”, disse Speights. “Em doses mais altas, pode causar mais euforia e uma sensação de bem-estar geral.”
Alucinações também são possíveis.
Doses mais elevadas também representam um risco maior de efeitos colaterais adversos.
Isso inclui a depressão do sistema nervoso central, que pode resultar em colapso cardiovascular e parada respiratória.
Sintomas de abstinência e dependência também representam riscos, afirmou Jana Wu, diretora de integração clínica do centro de tratamento de dependência Mountainside.
“Isso afeta casamentos, relacionamentos”, disse ela. “Já vi pessoas perderem empregos, gastarem milhares de dólares por mês com isso.”
Como é fácil desenvolver uma alta tolerância à erva, os usuários podem precisar aumentar a quantidade consumida para obter o mesmo efeito ao longo do tempo.
“Já trabalhei com pessoas que chegavam a tomar até 20 comprimidos por dia”, disse Wu.
Especialistas disseram à BBC que os maiores perigos decorrem do fato de o kratom não ser regulamentado pelo governo federal.
“Existe uma dose segura?”, perguntou Speights. “Minha resposta é não, porque — e vou voltar a esse ponto — não sabemos o que contém.”
‘Drogas vendidas em postos de gasolina’
Nos Estados Unidos, o kratom é proibido em 11 estados: Alabama, Arkansas, Connecticut, Indiana, Kansas, Louisiana, Massachusetts, Dakota do Norte, Tennessee, Vermont e Wisconsin.
Massachusetts foi o último estado a tornar a substância ilegal, emitindo uma ordem emergencial temporária em agosto.
Dez anos antes, a Agência de Combate às Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) havia classificado o kratom como uma substância controlada de Classe 1, o nível mais perigoso para drogas, denominando-o “um perigo iminente para a segurança pública”.
Mas a iniciativa fracassou alguns meses depois, após o Departamento de Justiça afirmar ter recebido “numerosos comentários de membros do público contestando” a tentativa.
Isso deixa a cargo dos estados a responsabilidade de tomar medidas, como o Arizona, que recentemente processou uma empresa que vende bebidas à base de kratom.
Grupos contrários ao kratom querem que os estados façam mais, afirmando que “drogas vendidas em postos de gasolina estão envenenando nossas comunidades”.
Grupos pró-kratom, como a American Kratom Association, estão pressionando por proibições contra produtos sintéticos “que se fazem passar por kratom natural”.
Internacionalmente, o kratom é proibido no Reino Unido. Na Europa, as leis variam de país para país.
Na Malásia, país de origem da árvore kratom, o consumo e a venda são proibidos pela Lei de Venenos de 1952.