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Eles se uniram para denunciar abusos em uma escola — e depois se casaram

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Zia e Yusron sorriem para a câmera — Zia está usando um hijab rosa escuro e tem óculos escuros na cabeça; Yusron está usando uma camisa branca com a gola aberta
Legenda da foto, Zia e Yusron eram alunos exemplares de um internato em Lombok

    • Author, Rebecca Henschke
    • Role, BBC Eye Investigations
  • Published

  • Tempo de leitura: 9 min

Aviso: Esta reportagem contém detalhes de agressão sexual

A voz do outro lado da linha fez o estômago de Yusron Azzahidi revirar. Ele havia ligado para o número da irmã depois que ela lhe mandara uma mensagem, pedindo urgentemente que ele ligasse. Mas não era ela do outro lado — era o antigo diretor de Yusron. Ele estava na casa da família de Yusron.

“Eu sabia. Sabia exatamente sobre o que ele queria falar”, diz Yusron.

Ahmad Imanuddin Sumar, conhecido pelos alunos como “Abah” [“pai”], tinha uma reputação a preservar. Ele era o respeitado líder de um internato islâmico na ilha indonésia de Lombok. E Abah havia descoberto que Yusron e seus antigos amigos de escola vinham reunindo testemunhos de vários estudantes que afirmavam que ele os agrediu sexualmente.

O abuso sexual em internatos islâmicos foi descrito como uma emergência nacional pela Comissão Nacional sobre Violência contra as Mulheres da Indonésia. Mas muitos casos nunca chegam aos tribunais porque as vítimas são persuadidas a retirar suas alegações ou pressionadas a permanecer em silêncio, dizem especialistas jurídicos.

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