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Com uma reportagem intitulada “Notícias falsas voltam a agitar a eleição presidencial no Brasil”, a agência internacional especializada em economia e mercado financeiro detalhou o que chamou de “a mais recente reviravolta” da campanha eleitoral de 2026.
“Um novo e improvável campo de batalha surgiu no Brasil na reta final antes da eleição presidencial: uma disputa religiosa desencadeada por notícias falsas”, diz a Bloomberg.
“É a mais recente reviravolta em uma campanha já sequestrada pela maior fraude bancária da história do país e por uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal”, continua o texto, em referência ao escândalo do Banco Master e a recente crise entre ministros do STF.
Tratam-se das postagens que circulam nas redes sociais nos últimos dias associando Flávio Bolsonaro a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Na semana passada, o candidato do PL desmentiu a ideia de que, se eleito, pretende apoiar um suposto projeto de lei nessa direção.
“Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, afirmou Flávio em um vídeo no qual acusa o PT de explorar eleitoralmente o caso.
Não existe um projeto apresentado por Flávio para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O texto no centro da história é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, de Mato Grosso, hoje filiado ao Progressistas.
A Câmara dos Deputados informa que a proposta está arquivada. Seu objetivo era alterar a Lei nº 6.802, de 1980, para substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A tramitação terminou em 2008. Segundo a Câmara, o projeto foi arquivado naquele ano.
Disputa ‘pode estar afetando a corrida eleitoral’
Segundo a reportagem publicada pela Bloomberg, a “desinformação se tornou uma característica recorrente das eleições brasileiras”, com as autoridades eleitorais interferindo para ordenar a remoção de dezenas de publicações falsas ou enganosas nas eleições de 2022.
Dessa vez, diz a agência, a disputa em torno de Nossa Senhora “pode até estar afetando a corrida eleitoral”, com uma pesquisa divulgada na segunda-feira (28/10) sugerindo que o apoio a Lula entre os católicos aumentou.
Segundo pesquisa BTG/Nexus, o petista avançou três pontos percentuais entre eleitores católicos, indo de 44% para 47% em uma semana na pesquisa estimulada. Já Flávio Bolsonaro oscilou negativamente um ponto percentual nesse grupo religioso, de 34% para 33%.
Nas simulações de segundo turno, quando o cenário mais provável até aqui é mesmo de uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente voltou a aparecer à frente do senador, segundo as pesquisas divulgadas até a segunda-feira (28/09).
Lula aparece com 45% e Flávio, com 44%. Em caso de haver segundo turno, a votação será em 25 de outubro.
“No entanto, a violência, a corrupção e a economia são as maiores preocupações dos brasileiros”, diz ainda a Bloomberg. “Com Lula e Bolsonaro praticamente empatados, esta corrida eleitoral promete ainda mais reviravoltas”, completa a reportagem.
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‘Controvérsia alimentada pela esquerda’
A disputa em torno de Nossa Senhora Aparecida também foi foco de outras reportagens na imprensa internacional.
O espanhol El País destacou como a “controvérsia alimentada pela esquerda” envolveu até mesmo líderes da Igreja Católica no país e a Suprema Corte, em uma controvérsia “que pode influenciar uma eleição extremamente acirrada”.
“Desde quinta-feira à noite, houve declarações, notas oficiais, acusações mútuas e decisões judiciais contraditórias. As falsidades, que continuam a circular nas redes sociais, podem afetar o que se configura como uma eleição muito acirrada”, diz o jornal.
“Diversos perfis de esquerda compartilharam a publicação original nas redes sociais, que dizia: ‘A família miliciana odeia tanto as mulheres negras que ataca a Virgem Aparecida’, e foi publicada originalmente por um humorista chamado Antonio Tabet”, lê-se no texto em espanhol.
“Embora ele não tenha mencionado a família Bolsonaro nominalmente, a referência era clara para os brasileiros que acompanham os acontecimentos políticos atuais.”
O El País destacou ainda que, após as postagens viralizarem, Flávio disse, sem apresentar provas, que “gente de dentro” da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) articulou a disseminação da fake news.
“A Igreja Católica no Brasil é conhecida por seus laços estreitos com a esquerda. O órgão máximo de representação dos bispos em Roma respondeu com uma declaração afirmando que ‘mentiras não se combatem com mentiras'”, diz a reportagem.
Outra matéria, da agência de notícias italiana Ansa, apontou ainda que, em reação à polêmica, o vice-presidente da chapa de Lula, Geraldo Alckmin, gravou um vídeo no qual afirma ter recebido mensagens de católicos “preocupados com a direção que o país está tomando”.
‘Tudo isso em um estado constitucionalmente laico’
A imprensa internacional também destacou como a disputa voltou a colocar em lados opostos ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na sexta-feira (25/9), André Mendonça, vice-presidente do TSE e também ministro do Supremo, determinou a remoção das publicações nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro a um suposto projeto para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira do Brasil.
No domingo (27/9), Flávio Dino, ministro do STF, derrubou a ordem de Mendonça; por fim, na noite de segunda-feira (28/9), o também ministro do Supremo Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e fez voltar a valer, ao menos provisoriamente, a determinação dada por Mendonça no âmbito da Justiça Eleitoral.
Em sua reportagem, a agência Bloomberg destacou que “tudo isso acontece em um estado constitucionalmente laico”.
Crédito, Reprodução/El País
No texto publicado no jornal El País, a jornalista Naiara Galarraga Gortázar, correspondente no Brasil, também recorda o histórico do Brasil com notícias falsas em período eleitoral.
“Lembre-se que essa tática, agora explorada pela esquerda, já foi usada pelos apoiadores de Bolsonaro nas duas últimas eleições. Em 2018, espalharam a notícia falsa de que o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, que substituiu o então preso Lula, distribuiria um ‘kit gay’ nas escolas; em 2022, voltaram a fomentar o pânico moral divulgando a notícia falsa de que Lula fecharia igrejas”, diz a reportagem.
“Na época, o PT protestou veementemente e recorreu aos tribunais eleitorais para que as mensagens fossem retiradas. Agora são os apoiadores de Bolsonaro que exigem a mesma coisa, enquanto a esquerda se envolve na bandeira da liberdade de expressão.”
Segundo o El País, ambos os lados sabem que uma pequena margem de votos provavelmente decidirá a eleição.
“Apenas uma ínfima porcentagem de eleitores permanece indecisa. Enquanto isso, os favoritos estão apelando para o voto estratégico, na esperança de resolver a eleição neste domingo, enquanto os outros candidatos perdem terreno”, diz o texto.