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‘Desafio da humanidade’, diz cineasta Lygia Barbosa sobre economia azul

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De que forma a economia azul afeta diretamente a vida das mulheres? Durante as minhas filmagens, eu fico um tempo com comunidades e participo do dia a dia delas. E então, em conversas nesse dia a dia, pude constatar, por exemplo, que a atividade feminina demorou muito para ser reconhecida, principalmente em linha de costa, na distribuição, no manejo do pescado, que são na maioria as mulheres que fazem quando o homem vai para alto mar e traz a pesca. São elas que fazem toda essa parte de beneficiamento da pesca e distribuição – muito pouco reconhecidas. Eu tive a oportunidade de conversar com uma antropóloga, que fez uma tese de doutorado sobre mulheres e o mar. Essa tese de doutorado virou um livro que hoje é usado por mulheres da região sul do Brasil para conseguirem a carteirinha de pescadoras. Então, existe uma dificuldade muito grande de reconhecimento de que a mulher faz parte dessa cadeia produtiva e de que ela também pode ser considerada uma pescadora.

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